02/05/2004

O Cristo Pré-Existente

João Batista estava ciente de Quem, no Cristo, palmilhava nesta Terra, e D’Ele testemunha com a devida humildade: “Este é Aquele de Quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim, porque era primeiro que eu.” – Eis o verdadeiro testemunho de João, no qual encarnara o Arcanjo Miguel, a fim de pregar aos cegos a Minha Vinda e completa Presença nesta Terra.

 

No 3o Cap., Vrs. 1, de Malaquias consta: – “O anúncio do Senhor precedido pelo Seu Anjo” – “Eis o Supremo Homem Deus, tão despretensioso e Humilde como um Cordeiro, antes do Qual nada existia no Espaço Infinito a não ser o Espírito de Jeovah que Se apresenta Visivelmente, e deseja ser batizado por mim”, diz João. Vejamos que o testemunho do Batista é semelhante ao de João Evangelista que, em virtude do Seu Amor, recebe a mais sublime Revelação. A expressão: “No Princípio era o Verbo”, encobre o verdadeiro sentido levando alguns sábios de outrora a contestarem o Ser Eterno da Divindade. A tradução lógica é esta: “Na Causa Primária existia a Luz, o Pensamento Santíssimo, a Idéia Fundamental da Criação”, provando que a Luz estava não apenas com Ele, mas N’Ele perfazendo o Ser Divino na Sua Totalidade. Indagado se O conhecia, João afirma que não, “mas o Espírito lhe revelara todas as cousas”. A Pré-Existência do Cristo fica claramente evidenciada em ambos os testemunhos, do Batista e do Evangelista.

 

Meus caros, a Divindade existe por Si Mesma! E João indaga no início do Evangelho, como poderia ser primeiramente sem forma Aquele que é a Causa e a Forma Básica de todas as formas? Se Deus não fosse Homem, logicamente Perfeito pela Sua Própria projeção, não seríamos humanos, e jamais O amaríamos acima de tudo. Muitos poderão contestar: “Um relojoeiro não necessita ser relógio para construir uma máquina, e se o homem pode criar uma idéia sem que esta lhe seja idêntica, Deus também não necessitaria ter uma Forma para nos criar. Não é a idéia como noção algo informe?” Todos esses argumentos são incontestáveis – dentro do raciocínio humano – se no Pentateuco constasse: – “Deus criou o homem correspondendo a uma Idéia Sua!” Mas tal não ocorre. Lá consta: “Fiz o homem à Minha Imagem e Semelhança”, com uma diferença: “Eu Sou a Unidade Eterna!” A Unidade não se divide, se o fizermos deixará de ser unidade. Por isto não podemos separar o Pai do Filho, na Sua Natureza Intrínseca são idênticos. “Ele está em Mim e Eu estou N’Ele, sou, por conseguinte, o envoltório de nós ambos”.

 

A Sua Unidade Eterna ficou bem definida diante de Judeus e pagãos. “És maior do que Moisés que deu a nossos pais o maná?” Diz Jesus ser o Moisés do Moisés! E Abraão? “Antes que Abraão existisse Eu Sou!” E a Irhael, a bela mulher da Samaria, Jesus disse: “Antes que tu existisses Eu já te amava.”

 

Realmente, irmãos, nossa existência é uma partícula da Infinita Existência de Deus; assim, somos desde Eternidade, pois na Plenitude da Vida Divina não existem partículas remotas e recentes. Conclusão: – Desde Eternidades fomos uma manifestação dentro D’Ele, porém, numa existência algemada na Plenitude de Sua Vida. Houve porém um momento na Eternidade, resolve Ele nos libertar, projetando-nos como seres livres, numa existência fora D’Ele, muito embora dentro D’Ele! Confirma Jesus ao dizer à Samaritana que existimos desde Eternidades; com uma diferença, repetimos, ser Ele a Unidade Eterna, e nós, partículas emanadas da Mesma. Nossos pensamentos possuem a mesma idade que nós, tudo depende de “quando” os projetamos, libertando-os do nosso âmago.

 

Para concluir todas essas considerações surgidas, não através do homem mas do Próprio Verbo Revelado, dizemos ser Ele o Homem de todos os homens e nós Seus Pensamentos fixados pela Sua Vontade Eterna e Poderosa! Altivez, presunção, orgulho e domínio impedem o espírito de reconhecer em Jesus as qualidades mencionadas por Isaías, sobre o Messias: “Maravilhoso, Conselheiro, Herói, Príncipe da Paz” e finaliza dizendo, “Deus Forte, Pai Eterno”.

 

“Eu Sou a Luz do mundo!” Mundo não significa esta Terra, encarceramento de almas em julgamento, refere-se ao mundo de uma alma liberta que já possui dentro de si um espírito livre para “seguir-Me, e amar-Me verdadeiramente”.

 

“Senhor, o que vem a ser a Luz que perfaz as maravilhas dos mundos solares?” “A Luz reflete a emanação da atividade de Anjos e espíritos Meus. Portanto, Eu Sou a Luz em toda parte! A Luz é a Minha Veste, como projeção da incansável e eterna atividade do Meu Ser Interior.” A nossa visão material percebe apenas luz e brilho. Mas, quando a purificarmos no Espírito do Amor do Pai nos encantaremos com a atividade sábia e amorosa refletindo a Santidade de Deus através de Suas Criações.

 

 

Carinhosamente,

Thalízia dos Reis

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